Redes Sociais e Fake News – Fomos longe demais?

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Passado o frenesi das eleições para presidente no Brasil, podemos agora analisar com mais cuidado o papel que as redes sociais tiveram no pleito. A grande verdade é que já tínhamos tido uma noção do grande poder político da rede com os eventos que levaram ao que ficou conhecido como primavera árabe a partir de dezembro de 2010.

O início no Brasil

Distante 11.000 km nosso país assistiu a esses eventos e pouco entendeu como um bando de jovens organizou e até derrubou regimes através de movimentos organizados via redes sociais. Só que 3 anos depois provamos do mesmo movimento e em junho de 2013 as manifestações dos R$ 0,20 (vinte centavos) tomaram conta das ruas e 2 anos mais tarde culminou no impeachment da presidente Dilma.

O problema dos EUA

Esse fenômeno nas redes sociais insistentemente se mistura com a política e nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016 vimos pela primeira vez o termo FakeNews tomar conta dos noticiários. Fato confirmado pelos principais veículos de imprensa e posteriormente pela CIA e pelo FBI, deu conta de que hackers russos criaram perfis que disseminaram notícias de pânico, medo o que acabou influenciando no resultado do pleito (pelo menos até onde se sabe).

O caso da Cambridge Analytica

O famoso caso Cambridge Analytica que teria obtido indevidamente dados de 87 milhões de usuários no Facebook  mundo através de aplicativos pouco ortodoxos, e depois utilizados esses dados para influencia não só nas eleições dos EUA, como também, no referendo do Brexit, nas eleições da Nigéria. Casos que ficaram conhecidos no mundo inteiro e resultaram em um pedido de explicações formal endossado pelo parlamento americano ao Facebook.

Mark Zuckerberg, representou a empresa em sessão (se saindo muito bem, na opinião desse que vos escreve), frente a comissão de investigação do Senado dos EUA. É claro que sua apresentação era importante até para a imagem da empresa, que havia perdido US$ 50 bilhões de dólares de valor de mercado desde a divulgação do escândalo.

O “dono” do Facebook, mencionou até mesmo o Brasil, ele se comprometeu que o Facebook faria jogo duro com a disseminação de fakenews nas eleições brasileiras e suspendeu cerca de 200 aplicativos que teriam coletado e repassado os dados de seus usuários. Isso realmente foi feito o Facebook manteve uma War Room durante todo o processo eleitoral a fim de identificar, coibir e até mesmo excluir contas que tivessem algum tipo de “desvio de comportamento”.

O problema dos dados

Estou bem longe de demonizar a captura dos dados de usuários, até mesmo por que dados de navegação, comportamento e até mesmo de cadastro são importantíssimos para as empresas, eles não só melhoram a experiência de navegação, como também, elevam o nível de relacionamento que as empresas têm com seus clientes e potenciais clientes.

A eleição no Brasil evidenciou que o problema não é exatamente a captura ou a comercialização das informações de navegação ou a forma como o Facebook e outras redes sociais “fiscalizam” esse tipo de ato, e sim as pessoas que dão credibilidade a fontes poucos confiáveis e não procuram pela notícia em outras fontes, ou mesmo não checam os fatos. Mesmo havendo um esforço enorme nesse sentido no mundo.

O fato de compartilhar pode influenciar em uma vida, uma comunidade ou mesmo nas eleições de um país. A grande questão é que as pessoas devem usar as redes sociais de forma responsável.

Sei que esse tipo de conscientização é complicado e que o usuário tem a impressão de estar em uma “bolha”. Mas, o que falamos e compartilhamos ecoa, literalmente, em todo o mundo. Por isso, passa sim pelas redes sociais esse tipo de atribuição de fiscalização, por outro lado, as empresas (redes sociais) não podem ser totalmente responsabilizadas pelos atos e publicações de seus usuários, até por que o volume de conteúdo produzido poderia inviabilizar a fiscalização delas.

O grande fato é que fomos longe demais, trocamos fatos por meias verdades, estatísticas por YouTubers “entendedores”, substituímos conhecimento por achismos e geramos absurdos como: teorias da terra plana, URSAL e teorias de ditaduras fascistas.

E você, acha que temos que mudar a forma como interagimos com as redes?

Acha que a ação manipulativa de determinados grupos é culpa do próprio usuário?

Deixe nos comentários sua opinião.

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Até o próximo post!

Fontes da matéria:

Primavera Árabe – resumo

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/16/internacional/1513454978_043457.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cambridge_Analytica

https://brasil.elpais.com/tag/caso_cambridge_analytica

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/03/empresa-que-ajudou-trump-roubou-dados-de-50-milhoes-de-usuarios-do-facebook.shtml

https://www.dn.pt/mundo/interior/como-a-cambridge-analytica-ajudou-na-eleicao-de-trump-9209379.html

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