Opinião – Neutralidade da rede, o novo “pedágio” do empreendedorismo?

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neutralidade da rede

Na quinta-feira última o FCC (Federal Communications Comission) aprovou o fim da neutralidade da rede nos Estados Unidos. Agora os cidadãos e empresas estadunidenses terão de escolher entre pacotes de internet segmentados pelo tipo de serviço consumido, além disso as empresas poderão pagar para determinados provedores uma certa “exclusividade” no tráfego de informações o que na prática tornará o acesso a determinados serviços e sites mais rápidos em detrimento de outros.

A neutralidade da rede no Brasil

Em terras tupiniquins esse assunto já foi levantado por duas oportunidades, ambos sob a chancela do então ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, mas sobre forte “clamor” popular, a voz que ecoava das redes sociais foi ouvida e o assunto não foi em diante. Sobre tudo após a aprovação do Marco Civil da Internet e posteriormente pelo decreto nº 8771 da então presidente Dilma Roussef (link).

Apesar desses fatos o assunto não foi totalmente “enterrado” no Brasil, principalmente por parte das teles que acham injusto demandar o mesmo link para um serviço de e-mails e para um serviço de streaming de mídia (filmes, músicas e etc). Mas ironicamente essas mesmas teles tem serviços que infringem diretamente o Marco Civil da Internet, oferecendo acesso gratuito a serviços e redes sociais, como: WhatsApp, Facebook, Instagram e até a site de compras.

Mas no que isso afeta o empreendedorismo?

Depois de todo esse contexto histórico e que entendemos um pouco mais o “jogo de interesses” que temos em torno do assunto, a imprensa “bateu” insistentemente em como isso afeta os usuários comuns, mas não mencionou em como afetaria o mundo corporativo. Ainda após a nebulosa aprovação na FCC, não fica claro se uma empresa que oferece acesso há uma plataforma de SaaS (Software as a Service – Falarei em outro post sobre o assunto) poderá pagar a um provedor um acesso mais “rápido” a seus clientes em detrimento de um concorrente, imagine a mesma lógica do serviço de propagandas do Google ou do Facebook aplicado à grande rede de computadores? Você ter de investir para ter prioridade de tráfego de seu serviço na Web.

Liberdade de escolha é uma marca da internet

Nos últimos 20 anos a internet nivelou e democratizou o seu acesso, ajudou a criar a gigantes como Google, Facebook, Amazon e até em terras longínquas o Alibaba Group, gigante da e-commerce chinês, com presença global. Permitiu que empresas como o Mercado Libre, de nossos hermanos argentinos e com forte presença no Brasil atraíssem a atenção de olhares de gigantes estadunidenses como o Ebay. Agora, imagine se todas elas tivessem de pagar por exclusividade de acessos aos seus sites por todo o tráfego que movimentaram no início de suas operações.

O feito aprovado pela FCC (mas que ainda passará por aprovação do congresso estadunidense), não só sacramenta o fim da Internet como a conhecemos, como também interfere no empreendedorismo mundial, gigantes em seus setores poderão sufocar seus concorrentes, simplesmente pagando pela exclusividade de tráfego, e talvez, não teremos mais um garoto com uma boa ideia em uma garagem enfrentando seus concorrentes, talvez a internet das coisas (IoT – Internet of Things) fique na mão de meia dúzia de empresas e voltemos ao cenário do início do século 20, quando Henry Ford enfrentou o lobby das empresas automobilística que detinham a patente do automóvel para produzir o sucesso de vendas do modelo T.

Não quero ser um “mensageiro do apocalipse”, mas do ponto de vista empreendedor essa nova política, que certamente chegará em terras Brasileiras em breve, deixa a disputa desigual de novos empreendedores com players já consolidados e abre um precedente enorme a concentração de mercado e a desmobilização da concorrência.

E você o que acha que devemos esperar do fim da neutralidade da rede? Deixe nos comentários!

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Até o próximo post!

 

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