A saga para empreender no Brasil

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Empreender no Brasil

Lendo um artigo desses publicados no LinkedIn que questionava ou melhor justificava o fato de não termos empresas dá envergadura de Google, Facebook, Microsoft ou Apple no Brasil, me fez refletir um bocado nos últimos dias.

Esta publicação enumerava alguns dos motivos de não termos empreendedores tão “talentosos” ou bem sucedidos no Brasil e de nossas startups não virarem unicórnios¹.

Bom, como disse no início do post refleti bastante e cheguei a algumas conclusões sobre não produzirmos gigantes de nenhum setor (exceção aplicada ao nosso mercado de commodities). Aproveitei para acrescentar minha humilde opinião, então vamos adiante:

Burocracia

Temos um sistema burocrático que impede que negócios evoluam em uma velocidade competitiva. Sim, isso é verdade, até por que segundo relatório do Banco Mundial, no Brasil são necessários em média 101 dias para abrir um negócio, lembrando que esse é um tempo médio e dependendo do tipo de negócio, pode variar para mais ou para menos, o problema é quando falamos de um nicho específico, como um consultório médico por exemplo que até obter todas as licenças incluindo vigilância sanitária, faz esse prazo disparar e muito. Esse índice nos deixa na posição 123º em 190 países contidos no relatório Doing Business do Banco Mundial.

Carga tributária

O grande problema não é só ter uma das mais altas cargas tributárias do mundo, envolve também o nível de complexidade atrelada a uma arrecadação por parte do poder público que é descentralizada​ que faz com que se sacrifiquem preciosas horas produtivas, mais de 2.000h (duas mil horas) no caso de nosso amado país. 2.038h para ser mais preciso.

Ineficiência

Talvez o ponto mais polêmico dessa breve análise e um ponto delicado que vai de encontro ao nosso sistema corporativo.

Afirmar que ele é ineficiente é muito fácil, principalmente quando se analisa somente números, já que em comparação com os Estados Unidos, país referência quando se trata de produtividade no trabalho e tem o índice quatro vezes maior que o brasileiro.

A comparação em questão, na humilde opinião desse insignificante blogueiro que vos escreve, tem de ser feita com algum cuidado já que o trabalhador estadunidense tem em média salário 4 vezes maior que o brasileiro (considerando apenas a proporção do salário mínimo vigente para ambos os países em 2017). Guardadas as devidas proporções de realidade econômica e custo de vida, obviamente.

Mas o que realmente nos torna ineficientes como trabalhadores? Tão somente as pessoas e a cultura de repressão a meritocracia? Somente podemos culpar o trabalhador por procrastinar? E o sistema que não permite que dois trabalhadores em mesma função tenham salários diferentes, deveríamos remunerar por produtividade? Deveríamos trabalhar por mais horas assim como os trabalhadores dessas gigantes mencionadas no início do post que trabalham cerca de 10h/dia (ou mais)?

A fórmula para a produtividade, e extrair o máximo possível de nossos colaboradores não pode e nem deve ser a mesma estadunidense, já que vivemos realidades completamente diferentes, é insanidade aplicar a mesma lógica que nossos pares do hemisfério norte.

A lógica aplicada deve considerar nosso sistema de trabalho local, só assim criaremos índices que se adequem a nossa realidade e permitam extrair o máximo possível de nossos trabalhadores, sem que haja queda na qualidade de vida ou aumento de custos produtivos, que já são extremamente altos no Brasil (“Custo Brasil”).

Crédito

Como se não bastasse todas as dificuldades encontradas, conseguir financiamento para uma ideia ou um negócio no Brasil é uma via sacra. Além de termos diversas barreiras que evidentemente estão ligadas a grande quantidade de empresas endividadas, também possuímos uma das mais altas taxas de juros do mundo, o que afugenta o novo empreendedor de investir em seu negócio logo no princípio.

Não menos importante, não possuímos a cultura do financiamento de empresas para empresas como acontece lá fora. No Brasil o empresário depende exclusivamente de linhas de crédito de bancos privados ou de bancos públicos com linhas específicas que nem sempre atendem nossa economia de forma justa e igualitária, restringindo assim o crédito a grandes empresas já consolidadas ou a interesses políticos dos quais não vou entrar no mérito.

Reflexão

As perguntas desse post, são incomodas, porém necessárias. Mas afirmo de antemão que culpar somente os colaboradores é um erro, culpar a legislação trabalhista também é um erro (não estou julgando se ela está certa ou errada, apenas tentando analisar as ferramentas legalmente vigentes hoje).

Se analisarmos diante do ponto de vista crítico, não enxergando tão somente os números de produtividade, podemos concluir que a nossa ineficiência está atrelada a um sistema inteiro. Ela tem início já na abertura da empresa, passando pela tributação e desaguando em nossos colaboradores, a mudança tem de ser mentalidade, começando pelos empreendedores, gestores e colaboradores, se queremos tornar nosso país mais eficiente e mais suscetível a criação de novos negócios, e até de gigantes como as mencionadas no início desse post, devemos almejar e construir um novo país, com um sistema que funcione como um todo, seja qual for a vertente. Trabalhista, tributária ou regulatória.

Qual é o segredo?

Se você quer empreender ou já é um empreendedor, não desanime, persista, persevere, todos os pontos aqui abordados, só tornam o desafio mais apaixonante e nos tornam mais vencedores ainda. Empreender é isso, afinal de contas, apesar de todas as “facilidades” aqui mencionadas para empreender que tiveram os fundadores de Microsoft, Apple, Google, Facebook ou Amazon, eles também enfrentaram dificuldades, o segredo é não recuar, manter o foco e não desviar de seu objetivo, quem sabe você leitor do blog não seja o próximo fundador/proprietário de um “unicórnio¹” aqui em terras tupiniquins.

Acesso ao relatório completo do Banco Mundial (Em inglês) – Doing Business, clique aqui.

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Até o próximo post!

¹ Unicórnios – Jargão do setor financeiro que refere-se a startups que alcançaram valor de mercado igual ou maior a um bilhão de dólares

Bibliografia:

http://portugues.doingbusiness.org/rankings

http://portugues.doingbusiness.org/data/exploreeconomies/brazil

http://portugues.doingbusiness.org/~/media/WBG/DoingBusiness/Documents/Annual-Reports/English/DB17-Full-Report.pdf

 

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